Dia 8 de Março Não é Dia de Receber Flores
História do Dia Internacional da Mulher – Já vou começar este texto com polêmica: Se você é mulher e não conhece as histórias de resistência das mulheres que vieram antes de você, sinto em te dizer, você não merece comemorar o dia 8 de março.
O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, representa muito mais do que uma simples data, em que mulheres são presenteadas com flores e mensagens de carinho. É um símbolo que abrange séculos de luta, dor, resistência e conquistas das mulheres em todo o mundo.
Mas você sabia que a trajetória das mulheres é cheia de episódios surpreendentes? Na Idade Média, por exemplo, elas eram as principais produtoras de cerveja, e ícones como o chapéu pontudo, a vassoura e o caldeirão, hoje associados às “bruxas”, têm suas origens em uma narrativa de empreendedorismo feminino.
Este artigo é uma viagem de uma fatia histórica que começa com as cervejeiras medievais, passa pela caça às bruxas, avança para as fábricas do século XX e culmina no movimento global que deu origem ao Dia Internacional da Mulher.
Apenas uma parte da história que envolve resistência, força, luta e sofrimento, mas muitas consquistas ao longo dos séculos.
Uma história que demonstra como, mesmo diante de desafios, as mulheres sempre encontraram formas de se reinventar e lutar por seus direitos.
História do Dia Internacional da Mulher: Empreendedorismo e as Cervejeiras Medievais
O papel feminino na produção de cerveja:
Durante a Idade Média, a cerveja era uma bebida fundamental, consumida tanto por adultos quanto por crianças, visto que a água frequentemente não era segura para beber, por causa da falta de higiene e saneamento básico da época.
As mulheres, conhecidas como “brewsters”, eram as principais responsáveis pela produção caseira da cerveja, utilizando ingredientes como cevada, ervas e água.
Essa prática não apenas supria as necessidades familiares, mas também se transformou em uma fonte de renda, com muitas mulheres comercializando o excedente em mercados locais.

Símbolos do ofício:
Vassouras na porta: As vassouras eram colocadas na entrada das residências para sinalizar que a cerveja estava disponível para venda. Era uma maneira prática de comunicação em um período sem anúncios ou placas.
Chapéus pontudos: Além de proteger as mulheres do calor e do vapor durante o processo de fabricação, os chapéus altos e pontudos serviam para chamar a atenção nos mercados, destacando-as em meio à multidão.
Caldeirões: Essenciais para ferver os ingredientes, os caldeirões representavam o núcleo do processo de fabricação. Eram grandes e pesados, simbolizando o esforço e a habilidade das cervejeiras.
Marginalização e Rótulos Negativos:
Com o crescimento das cidades e a profissionalização da indústria cervejeira, os homens começaram a assumir o controle do comércio, formando guildas (associações) e regulamentações que excluíam as mulheres.
Aquelas que permaneceram no setor frequentemente eram acusadas de bruxaria, especialmente se fossem solteiras, viúvas ou financeiramente independentes.
Os símbolos de seu trabalho, chapéu, a vassoura e o caldeirão, foram distorcidos e associados a práticas maléficas, criando uma narrativa que perseguiu as mulheres ao longo dos séculos.
Legado de resistência:
A trajetória das cervejeiras medievais evidencia como as mulheres foram pioneiras em atividades econômicas mesmo em um cenário de opressão e marginalização.
Essas mulheres não apenas sustentaram suas famílias, mas também contribuíram para a economia local, deixando um legado de empreendedorismo e resiliência que perdura até os dias atuais.
A Caça às Bruxas: A Perseguição às Mulheres Independentes
Imagine viver em um período em que ser uma mulher autônoma, com conhecimentos ou habilidades incomuns, era motivo suficiente para ser acusada de bruxaria. Isso ocorreu entre os séculos XV e XVII na Europa. Milhares de mulheres foram perseguidas, torturadas e levadas a queima em praça pública simplesmente por desafiar as normas sociais.
Muitas dessas mulheres eram semelhantes às cervejeiras medievais: mulheres que sabiam cuidar de si mesmas, que possuíam conhecimentos em medicina, herbologia (conhecimento sobre medicina natural) ou que não dependiam de um homem para sobreviver.
Elas eram curandeiras, parteiras, solteiras ou viúvas e, por isso, eram vistas como uma ameaça.
Os símbolos que antes representavam seu trabalho, como o chapéu pontudo, a vassoura e o caldeirão, foram distorcidos.
O que antes simbolizava empreendedorismo e habilidade se tornou “prova” de práticas malignas. A independência dessas mulheres, que deveria ser celebrada, foi utilizada como justificativa para perseguições cruéis.
Acusações de bruxaria frequentemente surgiam de boatos, inveja ou conflitos pessoais. Muitas mulheres enfrentaram julgamentos injustos, violência e execuções públicas, muitas vezes queimadas na fogueira.
A caça às bruxas não se tratava apenas do medo do sobrenatural; era uma maneira de controlar as mulheres e garantir que elas permanecessem no lugar definido pela sociedade patriarcal.
Contudo, mesmo diante de tanta opressão, essas mulheres deixaram um legado de resistência. Elas demonstram que, mesmo quando o mundo tenta silenciá-las, as mulheres encontram formas de lutar, sobreviver e deixar sua marca.
Embora a caça às bruxas tenha sido um capítulo sombrio da história, também nos lembra da força e resiliência que todas nós possuímos.
A Revolução Industrial e o Movimento Sufragista: Mulheres nas Fábricas e nas Ruas
A entrada das mulheres no mercado de trabalho:
Imagine deixar o lar para trabalhar em fábricas, enfrentando longas jornadas de até 16 horas diárias, em condições precárias e com salários muito inferiores aos dos homens.
Com a Revolução Industrial, no século XIX, as mulheres passaram a fazer parte da força de trabalho em grande escala, especialmente nas indústrias têxteis.
Apesar da exploração, essa experiência gerou uma nova consciência coletiva: as mulheres começaram a reconhecer seu poder e a se organizar.

A luta por direitos trabalhistas:
As mulheres enfrentavam não apenas jornadas extensas, mas também ambientes insalubres, assédio e a falta de direitos básicos.
Em 1908, uma grande manifestação de mulheres em Nova York exigiu melhores salários, redução da carga horária e o direito ao voto. Este evento foi um marco na luta pelos direitos femininos.
A coragem dessas trabalhadoras inspirou outras a se unirem e lutarem por condições mais justas.
O movimento sufragista:
Enquanto algumas mulheres batalhavam por melhores condições de trabalho, outras lideravam a luta pelo direito ao voto.
Personalidades como Emmeline Pankhurst, na Inglaterra, e Susan B. Anthony, nos EUA, tornaram-se ícones dessa causa, enfrentando prisões, protestos e até violência para garantir que as mulheres tivessem voz política.
O lema “Votos para as mulheres” ressoou pelo mundo, evidenciando que a igualdade de gênero incluía também o direito de participar das decisões sociais.

A tragédia da Triangle Shirtwaist Factory:
Em 1911, um incêndio em uma fábrica de Nova York resultou na morte de 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes. As portas estavam trancadas para evitar pausas, e muitas perderam a vida tentando escapar.
Essa tragédia chocou o mundo e revelou as condições desumanas enfrentadas pelas trabalhadoras, fortalecendo a luta por direitos trabalhistas e segurança no ambiente de trabalho.
Um legado de união e coragem:
A Revolução Industrial e o movimento sufragista demonstraram que quando as mulheres se unem, elas conseguem transformar a sociedade.
Essas lutas abriram caminho para conquistas históricas como o direito ao voto e a implementação de leis trabalhistas mais justas.
Dia Internacional da Mulher: Um Marco na Luta pela Igualdade
As origens do 8 de março:
Visualize um grupo de mulheres russas durante a Primeira Guerra Mundial, exaustas ao ver seus filhos passando fome e seus maridos perdendo a vida no campo de batalha. No dia 8 de março de 1917, elas tomaram as ruas para reivindicar “pão e paz”.
Esse ato de protesto foi um dos catalisadores da Revolução Russa e se tornou um símbolo da força e da solidariedade feminina.
A história do dia internancional da mulher nos conta que 8 de março não é apenas um dia lindo para comemorar “a importância e beleza de ser mulher” como a mídia mostra, mas também para honrar a tragetória dessas grandes mulheres que abriram caminhos seguros para que hoje, podéssemos ter os direitos que temos (mas ainda queremos e merecemos mais) sem ser acusada de “bruxaria” e correr risco de vida.
A oficialização pela ONU:
Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.
Essa data foi escolhida para celebrar as lutas históricas das mulheres por igualdade de direitos, melhores condições laborais e participação política.
O significado do 8 de março nos dias atuais:
Apesar dos progressos, as mulheres continuam a enfrentar desigualdades salariais, violência de gênero e sub-representação em cargos de poder.
A data também reconhece a resistência e a resiliência das mulheres, que seguem lutando por um mundo mais justo e igualitário.
Um dia de luta e celebração:
Em diversos países, o dia 8 de março é marcado por manifestações, protestos e eventos que ressaltam a importância da igualdade de gênero.
É um momento para lembrar que a luta das mulheres não começou agora e não cessará até que todas tenham os mesmos direitos e oportunidades.
O legado que carregamos:
O Dia Internacional da Mulher nos conecta com as histórias das cervejeiras medievais, das sufragistas, das operárias das fábricas e tantas outras que pavimentaram o caminho para as conquistas que desfrutamos hoje.
É um convite para continuar lutando, celebrando e homenageando todas as mulheres que fizeram e fazem parte dessa trajetória.
O Feminismo Atual: A Luta que Persiste
O que caracteriza o feminismo atual?
O feminismo não se resume a um único movimento, mas sim a um conjunto de vozes e batalhas que buscam a igualdade de gênero em todas as áreas da vida.
Nos dias de hoje, o feminismo moderno vai além do direito ao voto e da inserção no mercado de trabalho: ele combate a violência de gênero, o assédio, as disparidades salariais e a ausência de representatividade.
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As diversas vertentes do feminismo:
O feminismo interseccional, conceito introduzido por Kimberlé Crenshaw, reconhece que as mulheres enfrentam diferentes formas de opressão com base em sua raça, classe social, orientação sexual e identidade de gênero.
Essa abordagem amplia a luta para incluir mulheres negras, indígenas, LGBTQIA+, imigrantes e outras que sofrem com discriminações múltiplas.
Avanços recentes:
Movimentos como #MeToo e #NiUnaMenos deram visibilidade internacional a questões como assédio sexual e feminicídio, encorajando mulheres a relatarem abusos e reivindicarem justiça.
Em diversos países, foram implementadas leis mais rigorosas para proteger as mulheres contra violência doméstica e assédio no ambiente de trabalho.
Desafios contemporâneos:
Apesar dos progressos, as mulheres ainda recebem salários inferiores aos dos homens em muitos setores, ocupam menos posições de liderança e continuam sendo alvo da violência de gênero.
A luta pelo direito ao aborto seguro e legal é uma realidade em muitos lugares, incluindo o Brasil.
O papel da nova geração:
Jovens feministas estão utilizando redes sociais e tecnologia para amplificar suas vozes, organizar manifestações e sensibilizar a sociedade sobre questões de gênero.
Elas demonstram que o feminismo não é apenas uma luta do passado, mas uma necessidade urgente nos dias atuais.
Por que o feminismo é relevante?
- O feminismo não busca colocar as mulheres acima dos homens, mas assegurar que todos tenham os mesmos direitos e oportunidades, independentemente do gênero.
- É uma luta que beneficia toda a sociedade ao promover justiça, equidade e respeito.
- Do Passado ao Presente: Conquistas e Desafios Atuais
Conquistas recentes que celebramos:
Maior presença feminina na política: Em 2021, Kamala Harris fez história ao se tornar a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos, e em 2023, Claudia Sheinbaum foi eleita como a primeira presidente do México.
Legislação contra a violência de gênero: Nações como Argentina e Espanha implementaram leis rigorosas para combater o feminicídio e a violência doméstica, servindo como referência global.
Representatividade na mídia: Produções cinematográficas e séries como “Barbie” (2023) e “The Marvels” (2023) destacaram protagonistas femininas fortes e narrativas que desafiam estereótipos de gênero.
Movimentos globais: Iniciativas como #MeToo e #NiUnaMenos ganharam relevância mundial, incentivando mulheres a denunciarem abusos e reivindicarem justiça.
Desafios atuais que ainda enfrentamos:
Desigualdade salarial: Em 2023, as mulheres continuam recebendo, em média, 20% menos que os homens em funções equivalentes, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Violência de gênero: O feminicídio permanece uma realidade alarmante, especialmente na América Latina, onde países como Brasil e México apresentam índices preocupantes.
Direitos reprodutivos: A luta pelo acesso a abortos seguros e legais é ainda uma questão urgente em várias nações, incluindo o Brasil, onde essa prática é criminalizada na maioria das situações.
Sub-representação política: Apesar dos avanços, as mulheres ocupam apenas 26% das cadeiras parlamentares globalmente, segundo dados da União Interparlamentar (2023).
O papel da tecnologia e das redes sociais:
As redes sociais têm se mostrado uma ferramenta eficaz para mobilizar mulheres e aumentar a conscientização sobre questões de gênero.
Plataformas como Instagram, Twitter e TikTok são utilizadas para compartilhar experiências, organizar manifestações e pressionar governos e empresas a tomarem atitudes.
Um chamado para o futuro:
A luta das mulheres ainda está longe de terminar. Cada conquista representa um progresso, mas há muito a ser feito.
É fundamental continuar exigindo políticas públicas, educação inclusiva e transformações culturais que promovam a igualdade de gênero.
O feminismo contemporâneo nos lembra que juntos podemos construir um mundo onde todas as pessoas tenham os mesmos direitos e oportunidades, independentemente do gênero.
Curiosidades e Reflexões
Fatos sobre o Dia da Mulher:
O Dia Internacional da Mulher foi reconhecido oficialmente pela ONU em 1975, mas suas raízes estão nas lutas das trabalhadoras no início do século XX.
A cor roxa, que simboliza o feminismo, representa justiça e dignidade; o verde é um símbolo de esperança, enquanto o branco remete à pureza (embora sua associação com padrões de comportamento tenha sido questionada).
Mitos e verdades sobre o feminismo:
Mito: O feminismo é um movimento exclusivo para mulheres.
Verdade: O feminismo busca a igualdade entre todos os gêneros e traz benefícios para a sociedade como um todo.
Mito: O feminismo contemporâneo não é necessário, pois as mulheres já conquistaram muitos direitos.
Verdade: Há muito ainda por fazer, incluindo o combate à violência de gênero, a desigualdade salarial e a falta de representatividade.
Como apoiar a causa feminista:
- Informe-se sobre questões de gênero e ouça as vozes das mulheres, especialmente aquelas que enfrentam diversas formas de opressão.
- Participe de manifestações, apoie organizações feministas e utilize suas redes sociais para aumentar a conscientização entre as pessoas.
- No cotidiano, questione comportamentos machistas e promova a igualdade em casa, no trabalho e na comunidade.
Uma reflexão final:
O Dia Internacional da Mulher não deve ser apenas uma ocasião para dar presentes ou felicitações, mas sim um momento para refletir sobre as lutas do passado, celebrar as conquistas atuais e se comprometer com um futuro mais justo.
Cada pequena ação é importante, e juntos podemos construir um mundo onde todas as pessoas, independentemente do gênero, tenham os mesmos direitos e oportunidades.
Conclusão: A Luta Prossegue, Mas Já Fizemos Grandes Progressos
A trajetória do Dia Internacional da Mulher é marcada por resistência, bravura e conquistas. Desde as cervejeiras da Idade Média até as sufragistas, passando pelas operárias das fábricas e as feministas contemporâneas, cada geração de mulheres construiu um legado de luta e transformação.
Hoje, celebramos conquistas significativas, mas também reconhecemos que a luta pela igualdade de gênero ainda está longe de ser concluída.
O 8 de março não é apenas uma data comemorativa; é um convite para refletir, agir e continuar a batalha por um mundo onde todas as mulheres possam viver com dignidade, respeito e oportunidades iguais. A história nos ensina que, quando as mulheres se unem, elas têm o poder de transformar o mundo. E essa transformação inicia-se com cada uma de nós.
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